A psicologia analítica faz parte essencial das ciências da natureza; entretanto, está submetida mais do que qualquer outra aos preconceitos e condicionamentos pessoais do observador (JUNG, 2006, p. 234).
Do outro lado do tempo, no mesmo planeta, alguém sugere uma solução…
Bert Hellinger propõe um exemplo de um cliente que reclama de seus pais ou do que ele ou ela vivenciou de ruim na sua infância — ou qualquer outra situação já passada–. Na mente comum temos vontade de diminuir ou de solidarizar com o sofrimento desse cliente e pensamos: “Vamos ajudá-lo.” Mas se pensarmos filosoficamente, através do espírito, “não existe nada de ruim“. Se existe uma força criativa, que suporta tudo, que atua em todos, não pode existir nada de ruim!
Agora, olhando filosoficamente para essa situação, podemos sugerir ao cliente que ele também veja a situação filosoficamente e diga: “Não importa o que tenha sido: Eu agradeço. Tomo isso como uma força. Eu tomo esses pais como especiais, que me dão forças especiais e essenciais para minha vida.” O que acontece? Pelo menos é o que tem acontecido! Incrivelmente, o resultado de tudo o que aconteceu se transforma; e com a mesma intensidade que forçava para “baixo”, impulsiona para “cima”. A situação permanece na memória, mas o resultado não é mais ruim, é criador, criativo. É riquíssimo!
Como o terapeuta se comporta então? Ele já não é mais um terapeuta, é agora, na verdade, um filósofo. Ele não tem nenhum pesar. Pelo contrário, concorda também com aquilo que é ou que foi. Com isso são liberadas forças que ultrapassam a psicoterapia (HELLINGER, 2005, p. 234).
Não se trata de filosofia que se estuda nas escolas, dessas que vemos por aí. Ao estudar as frases e ditos dos grandes filósofos, apreciamos e até admiramos onde eles chegaram, o resultado da sua filosofia; mas permanecemos distantes e isolados da própria filosofia que os fez ousar e “indignar” os seus contemporâneos com proposições novas e inovadoras. Muitos morreram por isso!
Referências
HELLINGER, Bert. Ordens da ajuda. Patos de Minas: Atman, 2005. 248p.
JUNG, C. G. Memórias, sonhos, reflexões. 13a. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 489 p.







Eles disseram…