O Método Paulo Freire consiste numa proposta para a alfabetização de adultos, que criticava o sistema tradicional que utilizava a cartilha como ferramenta central da didática para o ensino da leitura e da escrita. As cartilhas ensinavam pelo método da repetição de palavras soltas ou de frases criadas de forma forçosa que comumente se denomina como linguagem de cartilha, por exemplo Eva viu a uva, o boi baba, a ave voa, dentre outros.
Vamos tentar adaptar esse método para a Pedagogia Empresarial, substituindo as palavras originalmente usadas por Freire, “professor”, por “chefe”, e “aluno” por “funcionário”. Entenda-se chefe como chefe, supervisor, gerente, diretor, treinador, “coach”, etc. Entenda-se funcionário como todo aquele ou aqueles que participam de uma atividade ou de um processo dentro de uma organização, que necessita(m) de treinamento, de educação, de mudança de comportamento, fruto do entendimento.
Substituiremos também, “palavra” por “conceito”. Entendido conceito como tudo o que o espírito concebe e entende; entendimento, ideia, opinião.
É preciso um pouco de abstração, fazer a separação mental, concentrar-se e deixar-se absorver.
Etapas do método
Etapa de Investigação: busca conjunta entre chefe e funcionário dos conceitos e temas mais significativos da vida do funcionário, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.
Etapa de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e conceitos.
Etapa de Problematização: etapa em que o chefe desafia e inspira o funcionário a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.
O método
Os conceitos geradores: o processo proposto por Paulo Freire inicia-se pelo levantamento do universo vocabular (do conhecimento prévio) dos funcionários. Através de conversas informais, o chefe observa os vocábulos mais usados (os conceitos pré-existentes) pelos funcionários e a comunidade, e assim seleciona os conceitos que servirão de base para as lições. A quantidade de conceitos geradores pode variar entre 18 a 23, aproximadamente. Depois de composto o universo das objetos geradores, apresenta-se eles em cartazes com imagens. Então, nos círculos de cultura inicia-se uma discussão para significá-las na realidade daquela turma. [1]
A silabação: uma vez identificados, cada conceito gerador passa a ser estudado através da divisão silábica (conhecer as partes, quem influencia e quem é influenciado no processo produtivo), semelhantemente ao método tradicional. Cada sílaba se desdobra em sua respectiva família silábica, com a mudança da vogal. (i.e., BA-BE-BI-BO-BU) [2]
Os conceitos novos: o passo seguinte é a formação de conceitos novos. Usando as famílias silábicas agora conhecidas, o grupo forma conceitos novos.
A conscientização: um ponto fundamental do método é a discussão sobre os diversos temas surgidos a partir dos conceitos geradores. Para Paulo Freire, alfabetizar não pode se restringir aos processos de codificação e decodificação. Dessa forma, o objetivo da alfabetização de adultos é promover a conscientização acerca dos problemas cotidianos, a compreensão do mundo e o conhecimento da realidade social.
As fases de aplicação do método
Freire propõe a aplicação de seu método em cinco fases:
1ª fase: Levantamento do universo vocabular do grupo — Nessa fase ocorrem as interações de aproximação e conhecimento mútuo, bem como a anotação dos conceitos pré-concebidos dos membros do grupo, respeitando seu linguajar típico.
2ª fase: Escolha dos conceitos selecionados, seguindo os critérios de riqueza fonética, dificuldades fonéticas – numa seqüência gradativa das mais simples para as mais complexas, do comprometimento pragmático do conceito na realidade social, cultural, política do grupo e/ou sua comunidade.
3ª fase: Criação de situações existenciais características do grupo. Tratam-se de situações inseridas na realidade local, que devem ser discutidas com o intuito de abrir perspectivas para a análise crítica consciente de problemas locais, regionais e nacionais.
4ª fase: Criação das fichas-roteiro que funcionam como roteiro para os debates, as quais deverão servir como subsídios, sem no entanto seguir uma prescrição rígida.
5ª fase: Criação de fichas de conceitos para a decomposição das famílias fonéticas correspondentes aos conceitos geradores.

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[1] Semelhante ao proposto pela NBR ISO 9001:2000, item 4.1 Requisitos Gerais, a) identificar os processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação por toda a organização.
[2] Semelhante ao proposto pela NBR ISO 9001:2000, item 4.1 Requisitos Gerais, b) determinar a seqüência e interação desses processos.



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