Perder isto ou aquilo implica ganhar coisas extraordinárias
Um dia o homem se levantou. Quando andava de quatro, as duas mãos sustentavam o corpo. Quando o corpo levantou, as mãos perderam a função de sustentar.
Perderam a função de sustentar, mas adquiriram a função de pegar. Portanto a mão apareceu. Quando estávamos de quatro, a boca tinha a função de pegar, já que as mãos estavam ocupadas. Portanto a boca perdeu a função de pegar, não é? Mas ganhou a função de falar.
Nós também ouvimos muitas pessoas falarem: “Perdemos o humanismo. Perdemos os valores. Perdemos a memória. Os jovens não têm mais memória. Não têm imaginação por causa das imagens. Não conseguem fazer cálculos, porque existe a calculadora.
Mas não é melhor assim?
Porque é justamente quando se perde a função… Perder a sustentação não foi nada, já que os pés o fazem muito bem; ganhamos a apreensão; nos tornou uma espécie que pode ser pianista, ou então cirurgião, prestidigitador… As mãos são um órgão extraordinário.
Portanto, ganha-se muito mais do que se perde. De certa forma, até o cérebro perdeu algumas coisas e está livre para inventar.
* Michel Serres e evolução humana.
Eles disseram…