— Pedagogia Empresarial

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June, 2009 Monthly archive

 

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O espírito empreendedor é cantado em versos e prosa, estimulado e cultivado por grandes e pequenas empresas para todos os níveis da organização. Talvez pela necessidade constante de inovação, porque sabemos que “duas cabeças pensam melhor do que uma”, as respostas a estas necessidades já não podem ser obtidas a partir dos paradigmas de “funcionários de organização”. 

As opções solo, se privilegiam as virtudes individuais, podem resultar melhorias efetivas ao negócio quando for bom para ambos. Respeitadas as individualidades, a coletividade, o trabalho em grupo, o objetivo comum faz a razão das organizações. Daí que a gestão da carreira é responsabilidade do indivíduo, e sua aceitação pelo grupo acontece em função do exercício da utilidade. 

Segundo Holtz (1997), consultoria não é uma profissão mas sim uma forma de prestação de serviços, portanto demanda uma especialidade, o domínio de certa habilidade funcional e útil, o que durante alguns anos se chamou de profissão. As relações de trabalho tem mudado significativamente desde oferecer serviços até negociar honorários, e de várias formas temos assistido a terceirização e a virtualização em diversos níveis da organização. O desempenho é avaliado pelo resultado do processo. 

Esse “novo” sistema, por assim dizer, já vem sendo praticado nas cooperativas e outras formas associativas, e é adotado por algumas empresas comerciais. Um exemplo, já clássico, é a empresa Semco, hoje Grupo Semco, que, segundo Semler (1988), experimenta um novo paradigma e continuará experimentando. Marcada pela inovação, não segue os padrões de outras empresas, com hierarquia pré-definida e formalidades excessivas. “Na Semco trabalha-se com bastante liberdade, sem formalidades e com muito respeito. Todos são tratados como iguais, desde os altos executivos até pessoas de cargos mais baixos. Com isso, o trabalho de cada um recebe sua verdadeira importância e todos trabalham mais felizes” (Semler, 2006). Apesar da polêmica, ninguém pode dizer que não funciona depois de 20 anos. 

Finalmente, no desenvolvimento das TI podemos encontrar muitos exemplos de mudança na organização do trabalho, e de sinergia. É inegável, e vale ressaltar, a contribuição singular dos jogos eletrônicos que envolve a participação ativa dos usuários, dos desenvolvedores e dos meios em que é apoiado (hardware), portanto, é um bom exemplo da aplicação da teoria sociotécnica (*). Um outro exemplo atual na mudança da organização do trabalho é a utilização da Internet no desenvolvimento de inovações tecnológicas e sociais: o fenômeno das redes de relacionamento (Facebook, Orkut, MySpace, LinkedIn, etc.), as mensagens instantâneas (Skype, MSN, ICQ),  e as redes, como a Rede GESITI (Gestão de Sistemas e Tecnologias de Informação aplicado em Organizações), que abrange o estudo inter e multidisciplinar dos Sistemas e Tecnologias de Informação e os aspectos humanos relacionados com o entendimento de como as pessoas procuram, obtém, avaliam, compartilham, classificam e utilizam a informação (GESITI, 2008). 

 * * *

(*) Scacchi, W. (2003). Socio-Technical Design. Institute for Software Reserach – School of Information and Computer Science – University of California. Irvine, CA, USA. Disponível em: <http://www.ics.uci.edu/~wscacchi/Papers/SE-Encyc/Socio-Technical-Design.pdf>. Acesso em: 13/05/2008.  

GESITI (2008). Rede GESITI – Sistemas e Tecnologias de Informação Aplicados à Gestão em Organizações. Disponível em: <http://br.groups.yahoo.com/group/GESITIs> Acesso em: 01/06/2009.

Holtz, H. (1997). Como Ser um Consultor Independente de Sucesso. Tradução de Beatriz Vogel. Rio de Janeiro: Ediouro.

Semler, R. (1988). Virando a própria mesa. São Paulo: Beste Seller. 

Semler, R. (2006). Você está louco! Uma vida administrada de outra forma. Rio de Janeiro: Rocco.

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Um homem saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua empresa. Ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua empresa. E, saindo perto das nove horas da manhã, viu outros que estavam ociosos na praça, e disse-lhes: Ide vós também para a empresa, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. 

Saindo outra vez, perto do meio dia, fez o mesmo; e, saindo perto das cinco da tarde, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia? Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a empresa, e recebereis o que for justo. 

Aproximando-se a noite, diz o senhor da empresa ao seu gerente: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos derradeiros, até aos primeiros. 

Chegando os que tinham ido perto das cinco da tarde, receberam um dinheiro cada um. Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um; e, recebendo-o, murmuravam contra o empresário, dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia. 

Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? 

(Mateus)

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Educação a Distância

Minha amiga Mariangela Monezi, consultora há mais de vinte anos em Direito Societário, escreveu um artigo muito interessante:

Há cerca de dois mil anos os recrutamentos e seleções eram muito mais rígidos que hoje em dia.

Na porta de entrada do Instituto de Pitágoras lia-se.

Profanos, afastai-vos!

Um criterioso processo de seleção vetava muitos dos candidatos à escola. Pitágoras era extremamente difícil na admissão dos noviços, dizendo que

nem toda a madeira serve para esculpir um Mercúrio.”

Os jovens que queriam entrar na associação deveriam passar primeiro por um período de provas. Permitia-se, no começo, a entrada no ginásio pitagórico, onde se entregavam aos jogos próprios da sua idade.

O recém-chegado era convidado a tomar parte na conversação dos noviços, como se ele fosse já um dos seus. Animado, o pretendente mostrava depressa e abertamente a sua verdadeira maneira de ser.

Durante esse tempo, os mestres observavam-no de perto, sem o reprimirem. Pitágoras vinha de imprevisto estudar-lhe os gestos e as palavras, atentando particularmente ao modo de caminhar e de rir dos moços. O riso, dizia ele, manifesta o caráter por uma maneira indubitável, e não há dissimulação possível que embeleze o riso do mau. Fizera da fisionomia humana um estudo tão profundo que, por ela, desvendava o fundo das almas.

Passados alguns meses, vinham as provas decisivas, que lembravam as da iniciação egípcia, porém suavizadas e adaptadas à natureza grega. Aqueles que fossem aprovados, iam para a prova moral. Sem preparação prévia, trancava-se o candidato em uma cela triste e nua. Deixavam-lhe uma ardósia e ordenavam-lhe que descobrisse o sentido de um dos símbolos pitagóricos.

O neófito passava doze horas encerrado na cela com a sua ardósia e o seu problema, sem outra companhia mais que um jarro com água e pão seco. Depois, conduziam-no a uma sala, à presença de todos os noviços que, nessa circunstância, tinham ordem de escarnecerem sem piedade o infeliz. Era nesse momento que o mestre observava com uma atenção profunda a atitude e a fisionomia do candidato.

Irritado pela troça, machucado pelos sarcasmos, humilhado por não ter podido decifrar o enigma incompreensível, deveria fazer um esforço enorme para se subjugar. Alguns choravam de raiva; outros respondiam por palavras cínicas; outros, fora de si mesmos, partiam com furor a ardósia, cobrindo de injúrias a escola e o mestre.

Pitágoras aparecia então e dizia, cheio de calma, ao moço, que tendo ele suportado tão mal a prova do amor-próprio, lhe pedia para não voltar mais a uma escola, de que fazia uma opinião tão má, e na qual a amizade e o respeito do mestre deveriam constituir virtudes elementares. O candidato expulso retirava-se envergonhado, tornando-se por vezes um inimigo irredutível da ordem.

Aqueles que, pelo contrário, suportavam os ataques com firmeza, que respondiam às provocações por meio de reflexões justas e espirituosas, e declaravam que estariam prontos a recomeçarem cem vezes a prova, para obterem uma única parcela da sabedoria, eram solenemente admitidos ao noviciado recebendo felicitações entusiastas por parte dos seus novos condiscípulos. Só então começava o noviciado chamado “preparação”, que durava, no mínimo, dois anos, podendo prolongar-se até cinco.

Os noviços, ou “ouvintes” eram submetidos à regra absoluta do silencio, durante o tempo das lições: não tinham o direito de fazer uma única objeção aos seus mestres, ou de discutirem os seus ensinamentos. Deveriam recebê-los com respeito, e meditar longamente sobre eles depois, consigo mesmos.

Pitágoras acreditava que exercitar alguém na dialética e no raciocínio, antes de lhe dar o sentido da vida, só serviria para produzir cabeças ocas e sofistas pretensiosos. O que ele ambicionava desenvolver, antes de tudo, nos seus discípulos, era a faculdade primordial e superior do homem: a intuição.

Pitágoras dizia que para atingir a suprema sabedoria, era preciso amá-la, e aqueles que fossem amantes do saber, seriam filósofos. E neste caso, não basta apenas especular, pensar sobre a verdade. Tem de estar conectado com ela através do coração. A busca não pode ser apenas intelectual; ela tem de ser profundamente intuitiva, tem de alcançar o próprio centro do seu ser.

A passagem para o próximo grau, da “purificação”, era um dia feliz, um dia de ouro. Era quando Pitágoras recebia o noviço na sua moradia, consagrando-o solenemente como seu discípulo. Começava por entrar em relações diretas com o mestre, penetrava no interior da sua habitação, reservada unicamente aos seus fiéis. Essa relação consistia em iniciá-lo nos conhecimentos esotéricos mais profundos.

Pitágoras estabeleceu no seu Instituto uma seção para mulheres. As mulheres por ele iniciadas recebiam os princípios supremos da sua função – dando a elas a consciência do seu papel no mundo. Mostrava que o homem, pela sua vontade criadora, é capaz de fecundar a alma feminina, de a transformar pelo ideal divino. E esse ideal a mulher lhe devolve multiplicado nos seus pensamentos vibrantes, nas suas sensações sutis, nas suas adivinhações profundas: ela lhe devolve à sua imagem, transfigurada pelo entusiasmo, quer dizer, ela “torna-se” o seu ideal, porque o “realiza” na sua própria alma.

Os graus seguintes faziam parte da Grande Iniciação, da Suprema Instrução. Eram para aqueles que já tinham a visão do alto. Para esses, Pitágoras pregava os mais altos e belos ideais de aperfeiçoamento humano e espiritual. Era quando, então, o mestre gostava de dar as suas aulas longe do dia profano e indiscreto. Preferia a noite, à beira do mar, nos terraços do templo de Ceres, sob as longínquas luzes da Via Láctea.

Assim, o Instituto Pitagórico, sediado na Magna Grécia (Itália), em Crotona, tornou-se, ao mesmo tempo, uma academia de ciência, um colégio de educação e uma pequena cidade-modelo, sob o governo de um grande iniciado. O seu fim não era, simplesmente, o de ensinar a doutrina esotérica a um circulo de discípulos escolhidos, mas ainda o de aplicar os seus princípios à educação da mocidade e à vida do Estado.

Pitágoras dizia:

Educai as crianças e não será preciso punir os homens.

Seu objetivo era fundar uma escola de ciência e de vida, donde sairiam não políticos e sofistas, mas sim homens e mulheres iniciados, verdadeiras mães e puros heróis! Pitágoras partia dos sentimentos naturais, dos deveres primários do homem ao entrar na vida, mostrava-lhes a sua relação com as leis universais. Logo de início, procurava incutir no espírito dos jovens o amor pela família. Louvava a amizade. Ele dizia que “o amigo é um outro nós-mesmos. É necessário honrá-lo como a um deus”.

As energias individuais eram despertadas, a moral tornava-se viva e poética, a disciplina aceita com amor deixava de ser um constrangimento, tornando-se propriamente a afirmação de uma individualidade. Ele pretendia que a obediência fosse um assentimento. O ensino moral preparava o ensino filosófico, pois as relações que se estabeleciam entre os deveres sociais e a harmonia do Cosmos faziam pressentir uma lei maior. Era nessa lei que residia o princípio dos mistérios, da doutrina oculta e de toda a filosofia. O espírito do educando habituava-se, assim, a encontrar sob a realidade visível o cunho de uma ordem invisível. É como o inseto alado, agora verme da terra, logo borboleta celeste. Quantas vezes têm ela sido crisálida e quantas mariposa? Não o saberá nunca; porém, sente que tem asas!

Pitágoras representa, pois, o adepto de primeira ordem. Uma grande época tem sempre na sua origem um grande inspirador; e os seus discípulos e os discípulos daqueles formam a cadeia magnética que propagam o seu pensamento. A ordem subsistiu durante muitos anos e quanto às idéias do mestre, essas vivem ainda em nossos dias, pois a escola pitagórica conheceu a realização interna e viva da Verdade – pela fecundidade do exemplo!

Educação a Distância

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Enquanto isso os problemas continuam sem solução…

Temos a tendência inconsciente a nos defender da culpa culpando os outros. Também a tensão da culpa é mais suportável se encontrarmos colegas também culpados. Assumir responsabilidade parece uma virtude sobre humana.

Enquanto isso os problemas continuam sem solução…

A Bíblia registra essa tendência tão humana. Em Gênesis, 3, lemos que, quando o Senhor indagou Adão do motivo da sua desobediência, ele (Adão) imediatamente culpou “a mulher que me deste por companheira”, tentando assim, jogar a responsabilidade sobre outra pessoa, e mais sutilmente sobre Aquele que lhe presenteou a companheira. Eva, por sua vez, diante da mesma pergunta, apontou a serpente – que não apontou para mais ninguém, talvez por não ter dedo…

Enquanto isso os problemas continuam sem solução…

Cada vez que surge um problema na organização, há uma tendência espontânea a procurar culpados. Esta atitude de “crítica moralizante” provoca as tensões angustiantes contra as quais os candidatos à culpa se defendem normalmente:

  • através do raciocínio ou racionalizações, 
  • “viva a burocrática” (atrás dos regulamentos), 
  • dependência da autoridade (ninguém toma iniciativa por medo de levar a culpa), 
  • procura de bode expiatório (o mais fraco leva a culpa), 
  • hostilidade e agressões, 
  • fuga em outro emprego ou atividade de refúgio. 

Enquanto isso os problemas continuam sem solução…

Dentro de um ambiente de culpa, só se encontram pessoas tensas e que se defendem. 

Enquanto isso os problemas continuam sem solução…

Dentro de um ambiente de produtivo é possível encontrar soluções para os problemas administrativos com o mínimo de tensões negativas. Será que poderíamos dizer “soluções autossustentáveis, com o reaproveitamento da energia humana”?

Só num ambiente aberto, onde imperam críticas construtivas, em que se procura resolver o problema e não encontrar e se regozijar na culpa e no pseudo-poder da “crítica moralizante”, em que os próprios interessados promovem soluções, aprendendo com os erros (grandes mestres), é que se poderá evoluir. 

Isto exige evolução da própria humanidade que, embora tenha desenvolvido em certas áreas este espírito de autocrítica construtiva, na sua maior parte ainda está mergulhada nas trevas do  Universo Mórbido da Culpa.

Baseado em trecho do livro “Relações humanas na família e no trabalho“, Pierre Weil, 30a. edição, Vozes, Petrópolis, RJ, 1976. 

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