
As metástases do câncer e as filiais das empresas tem objetivos análogos: elas se esforçam para colocar o máximo possível de seu próprio programa sem dar a menor chance às forças locais.
Podemos ver o mesmo modelo do câncer no mapa-mundi de um escritório empresarial: um círculo vermelho no meio aponta a localização da empresa matriz, que se infiltra nas regiões circundantes com pequenas filiais marcadas também em vermelho, porém menores. Estas metástases diminuem em número na periferia. Alguns países ainda estão livres, enquanto em outros há grandes colônias. Esta imagem é semelhante às imagens de um corpo tomado pelo câncer, obtidas por procedimentos de diagnóstico tais como a cintilografia.
No âmbito econômico, os representantes da atitude correspondente são aplaudidos desde o início, já que o câncer evidencia a atitude que faz o êxito empresarial. O empreendedor típico da primeira fase do capitalismo ultrapassa as fronteiras estabelecidas e ataca a concorrência sem compaixão, expulsando-a da área, já que com o poder de seus cotovelos pressiona-a contra a parede e a tira do negócio, mina o seu terreno ou pelo menos se infiltra em seus mercados. Em lugar de metástases, sucursais, “filie” tornam-se aqui filiais, empresas afiliadas são fundadas. No princípio a matriz, como o tumor correspondente, cresce para além de si mesma, então ela se infiltra na vizinhança para finalmente tornar-se ativa por todo o país e, idealmente, no mundo todo. Estar presente em toda parte e ter tudo sob controle. Este é o comportamento tradicional das grandes empresas.
O crescimento das grande cidades modernas também oferece uma imagem explícita de ânsia de expansão de tipo canceromorfo. As fotos tiradas por satélites mostram como elas devoram e ulceram a paisagem circundante. Tal como um tumor canceroso, elas confiam no crescimento desalojador e infiltrante, enquanto ao mesmo tempo emissários isolados são enviados sob a forma de cidades-satélites, cidades-dormitórios, zonas industriais e outras atividades metrastáticas.
Quando se considera a Terra como um todo um todo, a maneira como por toda parte ela é cancerigenamente devorada, saqueada impiedosamente e privada de sua capacidade de reação, a imagem correspondente àquela de um corpo que sucumbiu ao câncer. Quanto à avaliação do estágio em que ela se encontra, se ainda pode lutar para defender-se ou se já está em estado terminal, os economistas, biólogos, teólogos e outros “istas” e “ólogos” não chegaram a um acordo. O correspondente estado de resignação do corpo frente à energia vital juvenil do câncer chama-se caquexia (enfraquecimento geral das funções vitais). Ele se entrega à consumação, demonstrando em sua atitude de entrega que está aberto para passar ao outro mundo. Como a nossa Terra continua tentando regenerar-se e se defender energicamente do pululante gênero humano, ainda há esperança.
Mas não somente os princípios de nossa maneira de pensar no que se refere à Terra assemelham-se àqueles da célula cancerígena, nós compartilhamos também um lapso decisivo, ou seja, não medimos consequências de nosso comportamento: a morte de todo o organismo implica inevitavelmente na morte de todas as suas células, inclusive as células do câncer.
(…) O crescimento degenerado e caótico em todas as direções mostra o perigo, que o progresso sem objetivo termina na morte.
(…) Este, entretanto, é o ponto final, ou melhor, o ponto do meio, que somente pode ser aberto pelo amor.
Baseado em:

Eles disseram…