— Pedagogia Empresarial

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October, 2008 Monthly archive

Durante muitos e muito anos, seculi seculorum, fomos conduzidos por pedaços desintegrados do grande livro, ou pela interpretação pautada pelo não entendimento ou pelo entendimento parcial do conhecimento ou por outros interesses.

A cultura ocidental, ironicamente nascida no oriente próximo, foi forjada a partir dos preceitos bíblicos, do Pentateuco, da Torah. Esses pedaços, trechos cuidadosamente escolhidos para justificar interesses nem sempre consoantes com os preceitos mais importantes da Lei: a Justiça, a Misericórdia, a Fidelidade. (Mt 23,23).

 

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Vejamos, por exemplo, o trecho “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto” (Gen 3,19). Se perguntares a alguém se conhece essa afirmação, provavelmente todos a conhecem e sabem que pertence à Bíblia. Reconhecem-na e aceitam-na com tamanha santidade e naturalidade que seus semblantes se modificam quando a ouvem, dado o temor (ou seria o temer?) nutrido por mais de três mil anos na face da Terra. Pronunciar… nem pensar. Quem é que quer comer o pão com o suor próprio?

O nosso pequeno estudo poderia ir um pouco mais adiante, e perguntaríamos em seguida: “O que está escrito logo em seguida?” Ninguém saberia. Não é exagêro afirmar que ninguém saberia dizer o que vem depois de “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto”; se é um ponto, um parágrafo, uma vírgula, o que seja. Quem o saberia, sem titubear?

Mas o que isso tem a ver? Que importância tem isso? Você pode perguntar. Está na Bíblia e pronto! Outros ainda poderão esbravejar.

Consideremos então o conceito: se o que vier depois for um ponto final, com parágrafo na outra linha, a idéia está concluída. É isso e ponto final! Mas, se for uma vírgula quer dizer que a idéia não termina aí. Tem mais alguma coisa, uma explicação ou uma solução. Tem saída. E talvez essa saída não seja a redenção somente depois da sua morte, como era conveniente que acreditássemos nesses seculi seculorum. Talvez a solução esteja aqui e agora “Pois o Reino de Deus já está dentro de vós.” (Lc 17,21). Ponto final, parágrafo na próxima linha.

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Não tem muita explicação. Quanto mais você explica, ou explicam para você, mais a “coisa” se confunde. São tantos elementos, tantas palavras, e ao mesmo tempo nenhuma tão eficaz para esclarecer quanto o seu “sentir”. Você sente. Todo mundo sente. Sentir.

Certa vez o administrador do hotel contratou um gerente. Um homem de pouco mais de 30 anos, de conformação robusta, sem ser gordo, estatura mediana, tinha uma aperto de mão forte. A textura da sua mão, seca e músculatura rígida, lembrava a mão de uma pessoa de origem simples, duro e sofrido, como de um trabalhador braçal. Seus olhos claros e a cabeça raspada,  lhe conferiam certo ar de “clareza”.

Na nossa primeira entrevista, minha com ele, pois já havia sido contratado, ele disparou a galope num discurso profissional, bem condizente com a sua camisa branca e a gravata em tons de vermelho e amarelo, listras na diagonal. Gesticulava muito e, de certa forma, até empostava a voz, querendo demonstrar segurança e experiência.

Muito solícito, me mostrou um aparelho que ele trouxe de sua própria casa para “incrementar” o nosso “fitness center”. Era um daqueles pedais que simula o subir escadas. Eu não sei como se chama. O entusiasmo, a  dedicação, era realmente de impressionar. Tinha formação acadêmica e experiência em hoteis de grande expressão.

Deixei-o falar… Naturalmente o galope passou ao trote e finalmente ao passo. “Já conhecemos esse tipo de conduta”, pensei. Foi quando lhe disse mais ou menos assim: “Sabe Sr. Gerente, a gente aqui do interior já está acostumada com os palavrórios da gente lá da capital. Nós não acreditamos em nada disso que o Sr. me falou. A gente quer ver o resultado.” Parodiando São Francisco de Assis, “houve um dia em que acreditei em palavras.”

Um sorriso amarelo se esboçou no seu rosto, mas ele não deixou cair a peteca. Continuou convicto e confiante. Já não galopava.

Quando conversei com o administrador e lhe confiei a minha desconfiança caipira sobre o “palavrório” do Sr. Gerente, ele até quis justificar na formação acadêmica e no currículo, mas eu não dei muita trela para as justificativas. “Tá bom! Vamos aguardar.”, eu disse.

Bão! Pra incurtar a proza, o Sr. Gerente não resistiu seis meses. Bebia além da conta quase todas as noites. Ausentava-se sem avisar. Desconfia-se de algumas contas não bem explicadas… Enfim, o Sentir estava certo.

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Para administrar recursos humanos em Pindorama, talvez seja interessante entender um aspecto da sua genética cultural.

Uma característica curiosa do nacionalismo havido em Terra brasilis: o caráter nacional brasileiro não se assenta no idêntico, na identidade, e sim no outro, ou na alteridade (por oposição a identidade), uma vez que o que estaria em questão seria a aderência ao mundo civilizado num jogo cujas regras eram determinadas pelo dono do espetáculo, o civilizador.

Neste sentido José de Alencar, com seu romantismo indianista, poder exemplificar o processo de nacionalização a que estivemos submetidos.

Em ‘O guarani’, a bravura heróica e nobre do indígena está assentada na sua maior qualificação: bem servir o senhor conquistador até o limite de desejar ser o outro. Mais do que isso, de assumir a condição provisória de outro e ainda assim por razões servis.

“Se tu fosses cristão, Peri!….

O índio voltou-se extremamente admirado daquelas palavras.

– Por quê?… perguntou ele.

Por quê?… disse lentamente o fidalgo. Porque se tu fosses cristão, eu te confiaria a salvação de minha Cecília, e estou convencido de que a levarias ao Rio de Janeiro à minha irmã.

O rosto do selvagem iluminou-se; seu peito arquejou de felicidade, seus lábios trêmulos mal podiam articular o turbilhão de palavras que lhe vinham do íntimo d’alma..

- Peri quer ser cristão! Exclamou ele.”

(O guarani, parte VI, cap. X)

O que temos aqui é o cerne de nossa identidade nacional como aderência ao outro, mesmo que provisoriamente. E com que majestade medieval o outro se nos dá seu “nome”, ou sua chave de identificação resguardada em séculos de civilização:

“O índio caiu aos pés do velho cavalheiro, que impôs-lhe as mãos sobre a cabeça.

- Sê cristão! Dou-te o meu nome!”

(idem, ibidem)

É assim que Alencar apresenta-nos o idílico da Nação brasileira: o herói indígena, tornado cristão pelo sacrifício ao outro que veio para lhe tomar as terras.

Mas no interior deste índio já habitava um cristão: a cáritas. E do caráter caridoso fez-se o reconhecimento do novo cristão e selou-se a alteridade como definição para o nacionalismo indianista de Alencar. Todavia, faltava ao nacionalismo o seu mito de origem para que a legitimação se consumasse. Eis Iracema.

Nessa obra, as questões de alteridade já estão postas e naturalizadas, seja pela felicidade de Poti por tornar-se, a exemplo de Peri, um branco nomeado, Felipe Camarão, seja pela recusa natural do branco em responder a esta identificação com a recíproca, na medida em que o Coatiabo, para Martim, não teve a menor importância subjetiva a não ser aquela estratégica: estar a mais um passo próximo da consumação da conquista.

Importa em Iracema a legitimação do conquistador por dote e herança. Se em O guarani houve uma provisória condicionalidade identificadora – Peri só será ele mesmo na selva e em sua condição de selvagem –, aqui o nascimento de Moacir selará, na mestiçagem – ou na miscigenação, como se queira –, a legitimidade da conquista pelo mito da origem e pela aceitação incondicional do outro como espelho para identificação.

“No meio de homens civilizados, [Peri] era um índio ignorante, nascido de uma raça bárbara, a quem a civilização repelia e marcava o lugar de cativo. Embora para Cecília e dom Antônio fosse um amigo, era apenas um escravo.

Aqui, porém, todas as distinções desapareciam; o filho das matas, voltando ao seio de sua mãe, recobrava a liberdade; era o rei do deserto, o senhor das florestas, dominando pelo direito da força e da coragem.”

(idem, ibidem)

Peri ainda guarda sua liberdade no seio da mãe, para a qual se vê obrigado a retornar pela recusa de reciprocidade na identificação. O índio não foi aceito pela sociedade branca como um igual e, apesar de Cecília e Dom Antônio o terem tomado em alta estima, nunca passou da condição de amigo cativo – a mãe branca lhe permanecerá inalcançável.

Entretanto, em Iracema, anagrama da mãe América, Moacir, filho do sofrimento, perde o direito que antes fora imputado à Peri e não poderá mais retornar aos braços maternos libertadores.

“A jovem mãe suspendeu o filho à teta; mas a boca infantil não emudeceu. O leite escasso não apojava o peito.”

(Iracema, cap. XXXI)

Moacir será entregue ao outro feito Pai que recebeu a terra como dote de união e que lhe dará não só o nome, mas o sangue branco na origem – como condicional de troca hereditária –, e com ele, o servilismo por filiação como resposta do outro constituindo o eu na mais branda inocência.

“A triste esposa e mãe soabriu os olhos, ouvindo a voz amada. Com esforço grande, pôde erguer o filho nos braços, e apresentá-lo ao pai, que o olhava extático em seu amor.

- Recebe o filho de teu sangue. Era tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe!”

(Iracema, cap. XXXII)

É assim, como emblema e mito, que o indianismo romântico em Alencar naturaliza e legitima nosso nacionalismo que terá orgulho de sua origem primitiva, no entanto, muito menos por sua potência heróica para a resistência à dominação do que pela sua capacidade de reconhecer a supremacia da civilização estrangeira.

O emblema e o mito, que em Alencar falam do particular do indígena, no geral, tratam da própria condição do romantismo no Brasil como alternativa para assentar uma história de cunho moderno, ou seja, livre. E no cerne de nossa libertação está o paradoxo que nos define servos. Nossa liberdade é a liberdade civilizadora dada pelo outro como herança dignificante do negócio escuso que foi a colonização. Era preciso apagar, no dominador, o tom demoníaco do massacre às tribos indígenas, transferindo este traço repulsivo para aquelas tribos que resistiram e tiveram que morrer em nome da empresa. Naturalizar a conquista foi o preço pago pelo romantismo e, como recompensa, a Nação da alteridade se funda em oposição à identidade nacionalista do chamado projeto de modernidade, no qual nossa participação foi fundamental, posto que fomos o mundo selvagem a ser conquistado e a conquista dava o tonus heróico para sustentar o patriotismo idealizado pelo europeu. Aqui, ser brasileiro é aceitar ser o outro.

* Baseado em SEÇÃO 1 – ENSAIANDO A REFRAÇÃO, R_e-m_L, nº 1 – Anno I, 10/2008, O Indianismo Romântico de Alencar e o Nacionalismo da Alteridade, Alexandre Dias Paza – poeta, contista e ensaísta, doutor em Comunicação pela ECA/USP, professor de Literatura Portuguesa e Brasileira no CEFET-SP e de Teoria da Literatura no Ensino Superior em Guarulhos. <panfleto_eletronico@yahoo.com.br>

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Os quatro pilares da Educação são conceitos de fundamento da educação baseado no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors.

No relatório editado sob a forma do livro: “Educação:Um Tesouro a Descobrir” de 1999, a discussão dos “quatro pilares” ocupa todo o quarto capítulo, da página 89-102, onde se propõe uma educação direcionada para os quatro tipos fundamentais de aprendizagem: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros, aprender a ser, eleitos como os quatro pilares fundamentais da educação.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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  1. Aprender a aprender,
  2. Aprender a conviver
  3. Aprender a fazer,
  4. Aprender a ser.

Paulo Freire acrescentaria um quinto:

Aprender por que? Contra quem? A favor de que?

Ele sempre coloca a questão do porque.

Não pode ser diferente num empreendimento; numa tarefa que alguém se determina a executar; numa associação organizada que, sob a direção e responsabilidade de uma pessoa ou de uma sociedade, explora uma indústria, um ramo de comércio ou outra atividade de interesse econômico e/ou social.

Por que?

Não precisamos negar os avanços obtidos pelas obras de Taylor e Fayol, mas elas devem ser entendida no contexto histórico. Ambas foram concebidas numa época em que a massa (grande quantidade de pessoas sem laços ou ideias em comum e sem uma verdadeira organização) era analfabeta. Hoje sabemos dos malefícios causados aos operários, por causa da minuciosa especialização de tarefas.

Ainda temos algumas empresas que utilizam tanto teorias fayolistas como tayloristas. Pressupor como conduta “ótima” do trabalhador o desejo de acumular rendimentos e “prosperar”, em extrema oposição à “vadiagem” no trabalho, era comum naquela época, e isso norteava as tomadas de posição de dirigentes industriais. Pobreza, no período em que Taylor escreve sua obra, em geral, era considerada “caso de polícia”.

Por que?

Trabalhar na Google, por exemplo. Logo na entrada nota-se que essa não é uma “empresa normal”: a cafeteria está ligada à zona dos escritórios por um escorregador. Não é raro de se ver crianças andando pela empresa. E muitas outras “amenidades” ;-) . Na Google pode-se trabalhar independentemente de lugar, desde que se cumpram os prazos. A única obrigação mesmo, é cumprir os prazos de entrega. (Ponto final!) Talvez, lá se aprenda a aprender, se aprenda a conviver, se aprenda a fazer, se aprenda a ser… e todos sabem porque.

Por que?

A Termomecanica São Paulo S.A., está entre as maiores indústrias privadas do país. Fundada por Salvador Arena em 1942, empreendedor arrojado, que criou um modelo de gestão próprio, inovador e avançado para a época, que prezava, acima de tudo, seu “valioso capital humano”. Uma curiosidade: Sabendo que muitos funcionários saíam na hora do almoço para beber um pouco no boteco próximo, mandou instalar garrafões de pinga no refeitório da empresa. Resultado: o índice de alcoolismo diminuiu, e a produção aumentou, contrariando as previsões de muitos de seus colegas empresários. Talvez, lá se aprenda a aprender, se aprenda a conviver, se aprenda a fazer, se aprenda a ser… e todos sabem porque.

Por que?

Outro que adotou os quatro pilares da educação, bem antes da UNESCO, foi Ricardo Semler. Empresa de malucos? Grupo de doidos? Se você acha que a Semco é alguma coisa parecida com isso, saiba que você não está totalmente enganado. No entanto, as idéias nada convencionais que brotam na empresa não são por acaso. Elas são criadas e geridas de acordo com um modelo de gestão aberto, diferente do convencional e é exatamente isso que buscam. Talvez, lá se aprenda a aprender, se aprenda a conviver, se aprenda a fazer, se aprenda a ser… e todos sabem porque.

Estou seguro que estes não são os únicos exemplos.

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