— Pedagogia Empresarial

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August, 2008 Monthly archive

do Lat.  procrastinare
v. tr., deixar para o dia de amanhã; adiar; protelar; demorar; espaçar; deferir;
v. int., usar de delongas.

Posso dizer, sem medo de errar muito, que 90% (noventa por cento) das pessoas que nos procuram NÃO sabem o que querem. 100% (cem por cento) dizem que querem mudar, dizem que querem melhorar, dizem que querem se modernizar, dizem que querem se organizar, dizem que querem seus funcionários entusiasmados… Mas, a conduta não condiz com a palavra.

Logo na primeira fase do desenvolvimento do nosso trabalho (o levantamento do universo vocabular do grupo), as desculpas vão surgindo, os “veja bem”…

– Veja bem, Seo Sergio, o pessoal da informática…

– Veja bem, mas as pessoas não podem, de repente…

– Veja bem, é que esta semana nós temos que…

É a procrastinação!

Essa contradição ou contra-senso, pelo menos aparente, faz parte do comportamento natural do ser humano comum: a rejeição à mudança. Mudar dói! Mudar dá medo, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo. As pessoas que constituem o grupo podem ficar apavoradas. Mesmo que conscientemente todos os envolvidos digam que a entenderam e que a desejam, eles rejeitarão a mudança… Apavorados! Por isso procrastinam. Por isso procrastinamos. Isso é normal no ser humano comum.

Para resolver esse comportamento paradoxal, uma das ferramentas que utilizamos é prever atividades que objetivam preparação imediata para o trabalho de indivíduos, através de aprendizagem metódica, qualificação profissional, aperfeiçoamento e especialização técnica. Essas atividades constituem os programas de formação profissional e poderão se desenvolver através da realização de projetos de treinamento. Pedagogia empresarial.

Outra ferramenta, nós a chamamos processo cirúrgico. Não precisa explicação.

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“Se você estiver interessado em observar a dinâmica sistêmica dos relacionamentos humanos, precisará concentrar a atenção no que as pessoas de fato fazem. Esse é o método fenomenológico. De outra forma, só terá palavras e conceitos dissociados da experiência, o que não basta para ajudar realmente as pessoas.”

Bert Hellinger

Tenho visto em muitas empresas a busca de “conceitos dissociados da experiência”. É comum encontrar uma empresa certificada ISO 9001:2000, por exemplo, cujo manual da qualidade ninguém jamais o utilizou. Serve somente para manter a certificação. A indústria da certificação naturalmente soube promover seus serviços e, com a ajuda da mídia, tornou os termos “ISO 9000 / ISO 14000″ e “certificação” praticamente sinônimos. O que acontece é que nesse processo de certificação as empresas ficam atoladas em burocracia, não agregando qualquer valor aos negócios. A coisa é tão séria que a própria ISO houve por bem publicar a ISO/IEC 17050:2004 (Conformity Assessment – Supplier’s Declaration of Conformity), com referências específicas à capacidade da organização de autodeclarar a conformidade de seus sistemas de gestão.

O que dizer então dos ERPs da vida?  Uma busca no Google, Results… about 62,300,000 for ERP. (0.11 seconds). Para quem não sabe, ERP (Enterprise Resource Planning) ou SIGE (Sistemas Integrados de Gestão Empresarial, no Brasil) são sistemas de informações que integram todos os dados e processos de uma organização em um único sistema. Um sonho que certamente poderá se tornar realidade… um dia talvez!

Até hoje eu não vi nenhum funcionário, estagiário, trainee de qualquer indústria tanto de certificação como de ERPs, dedicar um tempinho qualquer a concentrar a atenção no que as pessoas de fato fazem. Talvez o seu “sistema” já tenha alcançado o estado-da-arte.

Até os “velhos” contadores já não se lembram mais de Luca Pacioli, pai da contabilidade moderna, e deixaram de “registrar os atos e fatos adminsitrativos”, dando preferência ao preenchimento correto das guias de recolhimento dos tributos devidos.

É claro que existem exceções! E não são pucas.

Mas, se você está interessado em ajudar realmente… Terá que observar a dinâmica sistêmica de uma organização, precisará concentrar a atenção no que as pessoas de fato fazem…  De outra forma, só terá palavras e conceitos dissociados da experiência, o que não basta para ajudar realmente as pessoas.

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Na consultoria empresarial é importante termos em mente que a nossa percepção do momento é apenas uma maneira de ver as coisas, e que quanto mais perspectivas investigarmos, melhor será a nossa compeensão. Immanuel Kant, racionalista do século XVIII, previne sobre as armadilhas de se definir categorias ou fazer julgamentos, pois é difícil saber se a categoria ou o julgamento reflete a coisa ou a maneira como a estamos analisando, ou seja, “Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos.”

A teoria da ética de Kant também é importante na consultoria empresarial. Ele pertenceu à escola de pensamento que se baseia em normas (deontologia), diferente daquela que sustenta que as ações são certas ou erradas dependendo do resultado bom ou ruim (teológica). Para o teleologistas, Robin Hood é um herói porque, basicamente, seus fins (dar aos pobres) justificavam seus meios (roubar dos ricos). Deontologistas como Kant, por outro lado, acreditam que uma norma é uma norma: roubar é errado. Teriam posto qualquer um na cadeia por ter roubado um pedaço de pão, não se importando se sua mulher e seus filhos  estão famintos.

A força da escola deontológica é que se tem um livro de normas (seja a Bíblia, o Alcorão, o Manual da Qualidade ISO 9000, ou a agenda do seu chefe, ou a sua mesma) para consultar quando você estiver em dúvida sobre qual o caminho certo. Geralmente é fácil concordar com as norma básicas. O inconveniente é que, um conjunto definitivo de regras, sempre encontrará exceções (como matar em legítima defesa amplamente aceita, apesar do mandamento “Não matarás”), e nunca é fácil concordar com as exceções. Por outro lado, com a ética consequente, nunca se sabe o que é certo ou errado, até se conhecer o resultado, o que complica fazer planos.

– Mas então, como resolver essa questão?

Ao analisar que ação empreender, pergunte a si mesmo:

Eu gostaria que todos os que estivessem na minha posição fizessem a mesma coisa?

Se a resposta é sim, está no rumo certo. Se a resposta é não, então não faça. Por exemplo, embora você possa imaginar facilmente uma situação em que será mais vantajoso para você mentir, não gostaria que todo mundo mentisse, então não minta.

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Consultoria não é uma profissão, mas uma forma de prestação de serviços. A consultoria sempre precisa do objeto. Qual é o objetivo da consulta? Um médico, através da consulta, obtém o diagnóstico e prescreve o tratamento para reestabelecer a saúde. Um engenheiro, através da consultoria, identifica a necessidade e apresenta o projeto da sua casa, por exemplo. Através da consultoria jurídica, o advogado orienta as condutas adequadas sob o aspecto jurídico, visando as melhores condições das relações sociais.

Sócrates proporciona um dos bons modelos para a consultoria empresarial, além de ser o “padrinho” da filosofia ocidental. O seu trabalho sobreviveu exclusivamente pelos textos de Platão, seu mais célebre discípulo. Segundo Sócrates, todos nós já temos o conhecimento e a solução que procuramos sempre está dentro da própria empresa, mas que podemos precisar de ajuda para trazê-la à tona. Uma contribuição importante de Sócrates é o chamado método socrático: fazer uma série de perguntas para se chegar às respostas definitivas. Não existe fórmula mágica, que venha de fora da empresa. Se a sua organização estiver lutando com uma questão importante, talvez precise de uma mãozinha filosófica para trabalhar com voces o despertar de “vossa própria sabedoria”.

Platão propôs a existência de formas puras e imutáveis, essenciais, e considera que vivemos num mundo mutável, onde os objetos são cópias imperfeitas dessas formas puras. Mas, com orientação apropriada, podemos alcançar o mundo das idéias e entender as formas puras da Verdade e da Justiça, e assim, fazer cópias melhores no mundo em que vivemos. Essa idéia também repercute na consultoria empresarial, pois se você não conhece as essências de algo, como reconhecer se as tem? O caminho mais rápido para o sucesso é trabalhar nas virtudes. Por exemplo, ao invés de “cortar custos”, talvez seja melhor aumentar as receitas e manter o equilíbio com as despesas. Parece simples?

Aristóteles desenvolveu a importância do pensamento crítico. Foi pioneiro de várias ciências físicas e sociais. Também “inventou” a lógica, que em sua forma mais elementar é muito útil para clientes com dificuldades que envolvem erros no pensamento crítico.

Carl Jung nos deixou algo, que na língua portuguesa deve ficar mais ou menos assim:

  • “Não podemos ignorar grandes mentes como Confúcio e Lao Tsé, se somos capazes de apreciar a qualidade dos pensamentos que representam; muito menos podemos desconsiderar o fato de que o I Ching foi a sua principal fonte de inspiração… Estou na minha oitava década de vida, e as opniões mutáveis dos homens raramente me impressionam; os pensamentos dos velhos mestres têm mais valor para mim do que os preconceitos filosóficos da Mente ocidental.”

Ao contrário dos médicos, engenheiros e advogados, cuja ajuda procuramos porque possuem conhecimento especializado que nós não temos, os consultores empresarias não contam necesariamente com uma perícia particular, mas com a sua capacidade geral de conduzir uma indagação. Não lhe damos respostas, mas o ajudamos a fazer as perguntas úteis. Não agimos necessariamente como autoridade que revelam informações totalmente desconhecidas para você, mas fornecemos a orientação que muitas empresas precisam, por terem esquecido ou negligenciado os meios de examinar a si mesmos.

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Temos o prazer em informá-los, em primeira mão, que nosso artigo “Aspectos sociotécnicos das TI & Relacionamento Humano & Sinergia” foi aceito e publicado, na página 67.

A RISTI (Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação) é um periódico científico, que foca a investigação e a aplicação prática inovadora no domínio dos sistemas e tecnologias de informação. É um periódico on-line, que publica artigos aceites num processo de avaliação por membros do Conselho Científico. O primeiro número da RISTI, publicado durante o mês de Julho, aborda a temática Modelos Organizacionais e Sistemas de Informação.

Esse artigo vai dar o que falar.

http://www.aisti.eu/risti/ristin1.pdf

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Os seres humanos são movidos por objetivos, e procuram informações ativamente para adquirir conhecimento. Durante séculos a mente coletiva acreditou que o conhecimento só poderia vir pelas mãos (cuspe e giz) de determinadas pessoas especiais, especialmente credenciadas, por uma instituição especial.

A Pedagogia Tradicional tem como centro a disciplina, de maneira férrea e indiscutível, que perseguia (quando surgiu, lá pelo século XVI), no final das contas, assegurar, cada vez mais, o poder do Papa, na intenção de fortalecer a Igreja ameaçada pela Reforma Protestante e para a qual era necessário poder dispor de homens que lhes respondessem sem vacilação alguma, em termos de uma conduta formada na rigidez e o ordem absoluta.

Já no século XIX a Pedagogia Tradicional alcança seu maior grau de esplendor, convertendo-se então na primera instituição social do estado nacionalista. É precisamente a partir de este momento em que surge a concepção da escola como a instituição básica, primária e insubstituível, que educa (ou adestra) ao homem para a luta pelos objetivos do Estado.

Por isso no modelo tradicional, os educandos (os funcionários) só podem ter o papel de entes passivos no processo de ensino (trabalho) ao qual se exige a memorização da informação a ele transmitida, levando-o a refletir a realidade objetiva como algo estático, detida no tempo e no espaço, como se não contasse de maneira alguma a experiência existencial de quem aprende (trabalha), como se os conteúdos que se oferecem estivessem desvinculados, em parte ou em sua totalidade da mencionada realidade objetiva, constituindo um conjunto de conhecimentos e valores sociais acumulados pelas gerações precedentes e que se transmitem como se fossem verdades acabadas, dissociadas do entorno material e social do educando (trabalhador).

No sentido mais geral, a visão contemporânea a respeito da aprendizagem é que as pessoas elaboram o novo conhecimento e o entendimento com base no que já sabem e naquilo em que acreditam. O clássico livro infantil “Peixe é peixe” ilustra esse pondo de vista.

Em vez de rejeitar a importância de uma crença, os diretores e gerentes podem fazer melhor, ajudando os funcionários e colaboradores a diferenciar suas ideias presentes e integrá-las em crenças mais harmônicas com o objetivo social da empresa. Isto pode parecer, a princípio, que dá mais trabalho se (e somente se) não se considera as experiências atuais com a quantidade de retrabalho.

Vivemos uma época propícia, quando os paradigmas são quebrados e criados a cada instante. É bem provável que as pessoas agora sejam capazes de usar o que aprenderam para solucionar problemas novos. Elas mostram indícios de transferência, isto é, os conceitos de um determinado conhecimento, que aparentemente não tenha nada a ver, ajudam a pensar em alternativas viáveis que não ocorrem facilmente a uma pessoa que apenas memoriza fatos.

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