Pena eu ainda não ter encontrado o Ricardo. Quando ele escreveu o seu primeiro livro, quase morri de inveja, era eu que queria escrevê-lo. Em 1989 estava em Anápolis, GO, para tentar um empreendimento imobiliário, junto com uma grande construtora de um grande grupo nacional (entre as 100 melhores e maiores da revista Exame, e que hoje já não existe mais). Enquanto isso eu continuo a empreender, do nosso jeito caipira, só que agora não só no ramo imobiliário.
Peço licença para citar alguns trechos do seu mais recente empreendimento editorial, do qual ainda quase morro de inveja
“Os arquivos da Bell Labs, que registra e acompanha inovações há um século, incluindo milhares de patentes suas, prova que apenas 2% das inovações paradigmáticas vêm de uma empresa que está no ramo. A Polaroid, inventora da foto instantânea em 1947, não soube inventar a câmera digital. A Xerox não xoube inventar o escaneamento, nem a IBM, o laptop. A Sony fez o walkman (ela era de fora desse ramos à época), mas não soube fazer o iPod.”
“O que impede que as organizações inovem e se atualizem é a cristalização. Desde a escola… somos categorizados. Depois, na faculdade, aprendemos a ser homogêneos no pensar. Em seguida escolhemos uma carreira em uma organização. Lá aprendemos como “se faz por aqui”, uma cartilha totalmente baseada no passado… lemos os mesmos artigos e livros… Depois disso tudo é difícil entender porque a organização fica estagnada?”
“Do ponto de vista antropológico a coisa é simples: sobem ao topo das empresas os mais batalhadores, os guerreiros, os que se dispõem a fazer sacrifícios pessoais – e sacrificar os outros. Por essa razão, homens sensíveis e mulheres emocionalmente inteligentes deixam o poder das organizações para os guerreiros. Que, por sua vez, se destroem, bem como aos inimigos …”
“A intuição, porém, é relegada ao plano esotérico nas empresas, e isso explica porque, com guerreiros valentes e incansáveis no topo, com poucas mulheres e pouco espaço para questões intuitivas, as organizações fazem uma bobagem atrás da outra.”
Talvez por isso aquela grande construtora, e o grande grupo nacional, já não existam mais.
Vale a pena ler. Precisa coragem para acionar. “Você está louco! Uma vida administrada de outra forma/Ricardo Semler. – Rio de Janeiro: Rocco, 2006. ISBN 85-325-2094-4.
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Eles disseram…