Um apanhado para ordenar nossos pensamentos, atitudes e ações.
C.G. Jung, “O Homem e seus Símbolos”, 5a. Ed., Editora Nova Fronteira S.A.
(…) Talvez este ponto se torne mais claro se tomarmos consciência de que as idéias de que nos ocupamos na nossa vida diurna e aparentemente disciplinada não são tão precisas como queremos crer. Ao contrário, o seu sentido (e a importância emocional que têm para nós) torna-se cada vez mais vago à medida que as examinamos de mais perto. A razão para isto é que qualquer coisa que tenhamos ouvido ou experimentado pode tornar-se subliminar — isto é, passar ao inconsciente. E mesmo aquilo que retemos no nosso consciente e que podemos reproduzir à vontade adquire um meio-tom inconsciente que dá novo colorido à idéia, cada vez que ela é convocada. Nossas impressões conscientes, de fato, assumem rapidamente um elemento de sentido inconsciente que tem para nos uma significação psíquica, apesar de não estarmos conscientes da existência deste fator subliminar ou da maneira pela qual ambos ampliam e perturbam o sentido convencional.
Evidentemente estes meios-tons psíquicos diferem de pessoa para pessoa. Cada um de nós recebe noções gerais ou abstratas no contexto particular de sua mente e, portanto, entende e aplica estas noções também de maneira particular e individual. Quando, numa conversa, uso palavras como “estado”, “dinheiro”,”saúde” ou “sociedade”, parto do pressuposto de que os que me escutam dão a estes termos mais ou menos a mesma significação que eu. Mas a expressão “mais ou menos”é que importa aqui. Cada palavra tem um sentido ligeiramente diferente para cada pessoa, mesmo para os de um mesmo nível cultural. O motivo destas variações é que uma noção geral é percebida num contexto individual, particular e, portanto, é também compreendida e aplicada de um modo individual particular. As diferenças de sentido são maiores, naturalmente quando as pessoas têm experiências sociais, políticas, religiosas ou psicológicas de nível desigual.
Sempre que os conceitos são idênticos às palavras, a variação é quase imperceptível e não tem qualquer função prática. Mas quando se faz necessária uma definição exata ou uma explicação mais cuidada, podemos descobrir as variações mais extraordinárias, não só na compreensão puramente intelectual do termo, mas particularmente no seu tom emocional e na sua aplicação. Estas variações são sempre subliminares e, portanto, as pessoas não as percebem.
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De fato, na vida cotidiana precisamos expor nossas idéias da maneira mais exata possível e prendermos a rejeitar os adornos da fantasia tanto na linguagem quanto nos pensamentos — perdendo, assim, uma qualidade ainda característica da mentalidade primitiva. A maioria de nós transfere para o inconsciente todas as fantásticas associações psíquicas inerentes a todo objeto e a toda idéia.
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a tal ponto perdemos contato com ele que se o reencontramos nem o reconhecemos. Conosco, estes fenômenos situam-se abaixo do limite da consciência e quando, ocasionalmente, reaparecem insistimos em dizer que algo errado está ocorrendo.
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Estamos de tal modo habituados à natureza aparentemente racional do nosso mundo que dificilmente podemos imaginar que nos aconteça alguma coisa impossível de ser explicada pelo bom senso comum.
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As emoções que nos afetam são, no entanto, exatamente as mesmas.
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na nossa vida civilizada despojamos tanto as idéias de sua energia emocional que já não reagimos mais a elas. Usamos estas idéias nos nossos discursos, reagimos convencionalmente quando outros as utilizam, mas elas não nos causam uma impressão profunda. É necessário haver alguma coisa mais eficaz para que mudemos de atitude ou de comportamento.
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Quanto mais a consciência for influenciada por preconceitos, erros, fantasias e anseios infantis mais se dilata a fenda já existente, até chegar-se a uma dissociação neurótica e a uma vida mais ou menos artificial, em tudo distanciada dos instintos normais, da natureza e da verdade.





Eles disseram…