
Temos visto muitos manuais de procedimentos bem encadernado, livros, apostilas e TCCs — e como abundam as apostilas e TCCs! Alguns até bem escritos! Vemos o orgulho e a satisfação ao apresentar para a sociedade os diplomas ou certificados por eles conferidos. Mais raro de se ver, é gente que dele usufrua. Sim, muitos planos e projetos, descrições da missão, política, objetivo, mas na prática…
Qualquer semelhança é mera coincidência! Para todos os efeitos, o que nós escrevemos aqui trata-se de obra de literatura pseudo-científica-ficcional. Ok?!
Será que a tradição bíblica, baseada num apanhado de livros todo-poderosos, confere ao papel — folha seca e fina feita com toda a espécie de substâncias vegetais reduzidas a massa, para escrever, imprimir, embrulhar, etc. — o poder de “resolver” todo nó, toda angústia e levar à satisfação dos desejos?
É claro que não! É preciso viver! Penso, na minha ignorância feliz, que a mensagem de Jesus, o nazareno — que não escreveu nenhum memorando, diga-se de passagem — era para vivermos O conhecimento. “Não vim revogar, vim promulgar!” — acho que era mais ou menos assim que ele dizia, viver O conhecimento que já estava disponível.
Mas não é possível! Esse cara está possuído! “Cortem-lhe a cabeça, cortem-lhe a cabeça!” diria a rainha de copas. “Se você voltasse agora, muitos lhe condenariam outra vez. / Com cabelos longos quem sabe, e a calça desbotada talvez. / E os jornais de certo iriam publicar / Que morreu um doido que não quis calar.” Diz Silvio Brito, grande menestrel contemporâneo.
Mas, um abismo iiimmmeeennnsssooo separa a letra do dia-a-dia!
Como transpor esse abismo? O que posso fazer para realmente viver aquilo que se escreve, e se pendura nas paredes de várias organizações? Como “estimular e fomentar o ideal de servir, como base de todo empreendimento digno, promovendo e apoiando: PRIMEIRO. O desenvolvimento do companheirismo como elemento capaz de proporcionar oportunidades de servir; SEGUNDO. O reconhecimento do mérito de toda ocupação útil e a difusão das normas de ética profissional; TERCEIRO. A melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um em sua vida pública e privada; QUARTO. A aproximação dos profissionais de todo o mundo, visando à consolidação das boas relações, da cooperação e da paz entre as nações.”
Já viram isto nalguma parede por aí! Quem sabe num manual!
“A Prova, traduzida em mais de 100 idiomas, consiste nas seguintes perguntas: Do que nós pensamos, dizemos ou fazemos
- É a VERDADE?
- É JUSTO para todos os interessados?
- Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES?
- Será BENÉFICO para todos os interessados?“
Ou ainda aquela outra, do “velho” Sócrates:
– Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
– Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
– A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
– Devo confessar que não.
– A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?”
Então, tudo isso já está escrito. Tudo nós já sabemos. Sabemos, só nos falta aprender.
Meditando, meditando, estudando, procurando uma razão que me pareça razoável, lembro das aulas de história, ou de religião, onde ouvimos falar dos faraós, dos reis e imperadores. Sinceramente, eu penso que de fato eram representantes de Deus na terra. A bagunça começou quando generais, gente do povo, Zés Ninguéns como você e eu, usurparam o posto pelo poder que poderiam auferir. Tinham uma gana em mandar na vara — coletivo de porcos! Talvez Ramsés, tomado de ciúmes, tenha sido o primeiro a por fora toda sabedoria ancestral? Será que ele perseguiu Israel por causa da saudade do seu irmão Moisés? Foi só daí que Ramsés percebeu que havia perdido a “Jóia do Nilo”? Correu, correu, correu e se afogou nas águas profundas… Desde então, nós que não nos lançamos à travessia do mar, quando não nos afogamos, chafurdamos.
Veja só! Não é de hoje que a turma se perde nos manuais. A interpretação da letra não depende de ortografia e gramática, nem da qualidade do papel, mas da poesia que elas encerram. Sim, o entendimento de qualquer manual pressupõe a vivência; pressupõe um vocabulário advindo do resultado emotivo, psicológico, intelectual de uma experiência. Nessa linha de raciocínio, o melhor cardiologista deve ser aquele que já sofreu um enfarto. Os erros ensinam mais do que os acertos — dizem (?).
Onde está O conhecimento, então? Ele está no meio de nós. “O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará” (Sofonias, 3:17). “Nisto conhecereis que o Deus vivo está no meio de vós” (Josué 3:10). “Está o SENHOR no meio de nós, ou não?” (Êxodo 17:7). “…porquanto rejeitastes ao SENHOR, que está no meio de vós” (Números 11:20). “Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” (Lucas 17:21). “mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis” (João 1:26). E assim por diante, muitas e muitas citações do Livro, já que a tradição diz que o Livro tem razão.
– Ah! Mas assim você está forçando a barra!
Então tá! Olha, no nosso trabalho, realizado em organizações de todos os tipos, oferecido às pessoas em situação de mudança, em busca de uma melhor condição de viver, cansadas de sobreviver, nós não temos como explicar, nós fazemos e mostramos o resultado intelectual, psicológico e emocional. A mudança que ocorre é resultado de aprendizado efetivo. Se não houve mudança, não houve aprendizado. Não é uma questão de adquirir mais conhecimento, desses que estão nos livros. Você nem imagina o que é elaborar o conhecimento. Preparar, organizar, ordenar, formar (a pouco e pouco e com trabalho). Isso é viver o evangelho! Na prática. Dia-a-dia.
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Eles disseram…