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Desemprego em 2001 bate 50%
Sergio Vieira Holtz Filho
A necessidade de diminuir custos nas empresas e de maior qualidade de vida, vem provocando uma mudança de comportamento silenciosa mas significativa no cotidiano de muitos profissionais. A quantidade de empresas que utilizam da estrutura e dos serviços dos Escritórios Virtuais -- também chamados de Centros de Negócios -- é cada vez maior.
Segundo a revista Fortune, no ano 2000 aproximadamente 43% da força de trabalho será formada por funcionários temporários e sem vínculo empregatício. Assim, mais do que uma tendência de comportamento, os Escritórios Virtuais já são realidade.
Na França, 33% das empresas já colocaram parte do seu pessoal para trabalhar dentro dos novos conceitos, na Alemanha, 31% e na Grã-Bretanha, 52%.
No Brasil, empresas como a DuPont, Kodak, Credicard, Inepar, Vera Cruz Seguradora e Andersen Consulting já adotaram os conceitos home office e Escritórios Virtuais.
Se lembrarmos um pouco da história da humanidade, veremos que começamos o século XX com muitos ferreiros (que fabricam e "instalam" ferraduras nos cavalos, burros e mulas), e em todas as cidade, vilas e povoados havia um bebedouro público na entrada da cidade, outro em frente a Matriz, e assim por diante. As pessoas se serviam dessa água junto com os (outros) animais que por ali passavam. Procure, hoje, um bebedouro público. Procure um ferreiro para trocar a ferradura (do seu cavalo é lógico).
No final do mesmo século, quebrando uma tradição milenar, o ser humano deixa de andar a cavalo o que fez com que 99% dos filhos dos ferreiros perdessem o seu emprego. Mas, como tudo tem um mas, talvez os netos daqueles "desempregados" hoje trabalhem como frentistas em postos de gasolina, que no começo do século ninguém imaginaria que existiriam.
No meio de uma conversa entre empresários de diversos setores, um deles comentou de uma pesquisa feita no Japão, que diz que em 2014 (não me pergunte porque essa data), 90% do PIB daquele país advirá de produtos/serviços que ainda não foram inventados.
Por tudo isso e muito mais, não acredito nesse negócio de desemprego. Exite sim um deslocamento da força de trabalho que, talvez por força da velocidade de mudanças na sociedade ser maior do que a velocidade de mudança nos mecanismos de controles dessa mesma sociedade, leis, tributos, índices estatísticos, etc., não possa ser medido agora.
Aí me pergunto: Será que isso não significa também, novas possibilidades de negócios; novos "sites" para colocação da nossa força de trabalho. Será que não existem setores da economia que necessitam e podem absorver toda a força de trabalho disponível?
Mesmo que os economistas acadêmicos não possam medir e controlar, não quer dizer que não exista. Mesmo que a classe jornalística continue presa aos conceitos e ideologias da revolução de 1964 (no caso do Brasil), deixando passar a caravana, enquanto ladra. Não se pré-ocupe! Não cai uma folha da árvore sem que seja da vontade do Pai!
Como diziam Roberto e Erasmo: Fé na Vida, fé no povo, fé no que virá! / Nós podemos tudo! Nós podemos mais! / Vamos lá p'rá ver o que será.
27/05/1999