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Conto de fadas

Sergio Vieira Holtz Filho

Era uma vez uma empresa que andava bem.

Andava tão bem, tão bem que resolveu que tinha que crescer. Temos que ampliar o mercado. Temos que entrar com o nosso produto em Sarapuí. Nós podemos mais! Muito mais!

Foi uma euforia total, contrataram consultores: "de marketing", "de tributário", "de planejamento", "de custo", tinha até consultor de assuntos aleatórios. Foi uma festa. Ah! Não se esqueçam da ISO (só para os íntimos), bradava outro consultor que ainda não tinha sido convidado.

E você, o que é que você faz? Eu respondi que sou consultor. E a segunda pergunta foi incisiva: "de que?". Pensei, pensei e pensei e não encontrei uma resposta parecida com as que saem na Exame ou na PEGN ou na Globo Rural. Não sei se respondi.

Mas aquela empresa estava indo de "vento em popa". E os projetos foram sendo feitos, planilhas, sistemas desenvolvidos especialmente - no Excel - estudos, orçamentos até que o plano ficou pronto.

Pronto? Pronto! Pronto? Pronto! E agora? Como executar o plano? Alguém associou executar com executivo...

Que fosse do tamanho ($$) que a empresa precisava e... ainda executasse os planos dos projetos dos consultores.

Com estes adjetivos ($$) quem precisa de substância?

Encontraram um rapaz, nascido no interior do estado de São Paulo. Tinha boas referências, falava com desenvoltura, assinava o Estadão e lia a Folha quando frequentava a Ponte (Aérea).

Chamaram o rapaz (sim, porque para ser executivo tem que ser rapaz, descartável), e ele olhou aquilo tudo, aqueles projetos muito bem apresentados. Vocês precisam ver que pastas! E pediu o balancete...

Foi um silêncio profundo. Quem era aquele sujeito? Será que ele tinha alguma coisa a ver com o fisco? Afinal de contas para que serve "aquilo"? Estava tudo já nas 425 página do "Plano Diretor"?

Mas, o rapaz tinha boas referências. Foi um amigo do primo do meu sogro que quase quebrou e ele (o rapaz) parece tinha feito um bom trabalho lá.

Depois de muito tempo, dias inteiros, apresentaram-lhe um balancete de três meses atrás. Este estava atualizado embora faltassem algumas conciliações.

O rapaz olhou... olhou... e ... olhou durante longos e intermináveis três minutos. Ao final dos quais, começou a relatar a situação da empresa e a descrever o plano diretor e... sugeriu alí, na hora, o plano de AÇÃO.

Quem quizer que conte outra

04/1999

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